Comportamento

É tempo de jabuticabas

novembro 2010

Árvores ficam abarrotadas na primavera e remontam a inocência do Sítio do Pica-pau Amarelo

A fruta roxa, redondinha, que cobre o caule da árvore, desperta a atenção dos passantes. Trata-se da jabuticaba, fruta comum no Brasil, inclusive nas ruas de muitas cidades. A árvore, em cujos galhos Narizinho e Pedrinho passavam as tardes pendurados, no Sítio do Pica-pau Amarelo, é encontrada facilmente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Pará e outros.

Por seu tamanho médio, entre três e cinco metros, a jabuticabeira é muito visada por crianças, que sobem no tronco e comem a fruta ali mesmo, como já eternizou Monteiro Lobato. Na primavera, os troncos ficam carregados dessas roxinhas, que têm um gostinho azedo. As espécies mais apreciadas são a Myrciária jabuticaba e a Myrciária Cauliflora, e o grau de doçura varia conforme o grupo da planta.

A parte melhor é a branca, entre a casca e a semente. É nela que está o sabor, doce com uma pitada de azedo. A casca, mais dura, geralmente agrada aos animais. Rabicó, o porco de estimação do Sítio do Pica-Pau Amarelo, sempre ficava às voltas dos meninos, esperando-os descartarem o invólucro das frutas para poder comê-las.

A florescência acontece na primavera, e a primeira depende do tipo de muda. Se você plantar a semente, terá de aguardar em torno de oito anos até a sua primeira jabuticaba. Se o plantio for através de enxertia, o processo demora a metade do tempo. Depois de madura, a fruta possui grande quantidade de lignina, que é uma substância adstringente. Por essa razão, o chá da folha é indicado para os casos de disfunção intestinal, mas é melhor não pensar muito nesse assunto.

Alguns fruticultores menos experientes recomendam o uso de pregos e correntes de ferro para maltratar a planta, fazendo-a produzir mais frutas. Em alguns casos, isso chega a funcionar. No entanto, não é porque a árvore gosta de sentir dor. Em geral, o solo do local não oferece a quantidade suficiente de ferro, situação que é corrigida pela oxidação do material.

Para seguir o exemplo de Narizinho e Pedrinho, mesmo que você não tenha uma jabuticabeira no quintal, há outras possibilidades. O aluguel de pés de jabuticaba é uma prática bastante difundida no interior do país. Os jabuticabais, como são chamados, possuem árvores disponíveis para quem quer se fartar e não tem paciência de plantar, cuidar e esperar florescer uma muda. Você paga uma taxa e utiliza a área pelo tempo que quiser. Pode subir e comer ali, no pé mesmo, ou levar para casa. Não é uma boa ideia?

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